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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Dead Space 2-Pc-Xbox 360-Ps3


Seu coração provavelmente agradece aos jogos da sétima geração. O motivo? Bem, como você deve ter percebido, o gênero survival horror está quase extinto nas plataformas atuais. Pouquíssimos games trouxeram momentos em que você não sabia se tentava fugir de um terrível inimigo ou se corria em direção a TV para desliga-la e evitar alguns pesadelos.
Mas, felizmente, esse espaço não ficou em branco — com o perdão do trocadilho. Dead Spacesimplesmente surgiu do nada. Tudo bem, antes de o título ser lançado, em 2008, tínhamos várias informações que até despertaram o interesse de muitos gamers. O fato é que ninguém esperava que a obra da Visceral Games, desenvolvedora do título, se tornaria o maior exemplo de survival horror para os consoles de alta definição. Essencialmente, Dead Space se tornou a melhor aposta para quem gosta de um bom clima de suspense e terror.
É claro que a Electronic Arts, responsável pela distribuição, ficou agradecida com a recepção dos fãs. A excelente fórmula do game rendeu ótimos resultados por parte da crítica, que aclamou o game. Afinal, nenhum outro jogo de tiro em terceira pessoa trazia uma atmosfera tão tensa, fazendo com que o jogador se sentisse afligido durante toda a experiência.
Com isso, um segundo jogo seria inevitável. Dead Space 2 foi anunciado, mas desta vez milhões de pessoas já tinham noção de que a sequência tinha tudo para ser um excelente game, baseando-se na primeira experiência.
Assim, surgiram as expectativas, e a equipe da Visceral Games se sentiu obrigada a conceber um game superior ao até então imbatível Dead Space. Finalmente, a nossa hora chegou.Decidi  embarcar no thriller espacial que, sem sombra de dúvidas, é um dos jogos mais esperados de 2011.
A Visceral Games prometeu um jogo repleto de novidades, como o multiplayer e novas funções da jogabilidade. Agora, será que o resultado final fará jus ao game que simplesmente sustentou sozinho o gênero survival horror nesta geração? Ou Dead Space 2 merece apenas ser esquecido no espaço? Se você tem estômago forte, siga em frente para conferir a resposta e muito mais.

Aprovado

Por dentro do game
Sem dúvidas, o que mais chama a atenção em Dead Space 2 é a sua atmosfera. Quem experimentou o primeiro game da série sabe que é praticamente impossível não ficar tenso durante a jogatina. Felizmente, essa tensão só aumenta sua diversão, assim como a vontade de continuar desfrutando do game para saber qual é a próxima surpresa.
Dead Space 2 consegue melhorar o que já beirava a perfeição. O clima pesado já pode ser sentido na própria história do game, que traz algumas reviravoltas bacanas e mais profundidade à personalidade do lendário engenheiro Isaac Clarke, o protagonista da série.
Mas, e quem nunca teve a oportunidade de jogar o primeiro game? Ficará perdido? Felizmente, a Visceral Games trouxe uma solução interessante para aqueles que ainda não tiveram a chance — ou a coragem — de enfrentar os Necromorphs em Dead Space.
Essencialmente, a sequência oferece uma espécie de retrospectiva por meio de um formato bem semelhante ao que vemos em seriados televisivos. Para acessá-lo, basta iniciar o modo single player e selecionar a opção “Previous on Dead Space” (Anteriormente em Dead Space). Ao clicar na frase, vocoê confere um vídeo explicando o essencial da trama do primeiro jogo.
Mesmo com alguns spoilers inevitáveis, quem não conferiu o jogo original fica totalmente por dentro do que está por vir na sequência. Uma excelente ideia da Visceral Games e que, com certeza, deveria ser adotada em todos os jogos dotados de sequências.
Azarado é pouco
Logo depois de conferir a retrospectiva, você está pronto para conhecer os fatos que compõem Dead Space 2. A trama do segundo jogo consegue gerar uma experiência ainda mais tensa que no primeiro. No game, Isaac Clarke é resgatado após permanecer preso por três anos. O jogador não está mais na Ishimura, a nave que é o ambiente principal do original, mas sim em uma espécie de colonização humana que permanece orbitando em Saturno.
Supostamente, a infecção dos Necromorphs estaria acabada, não é mesmo? Se não fosse Isaac Clark, talvez um dos caras mais azarados dos games, não teríamos problemas. Mas, de algum modo, a invasão dos monstrengos também acontece no local. Isaac é acordado subitamente e o jogador apenas observa enquanto um companheiro tenta salvá-lo.
E se não fosse Isaac que estivesse preso, provavelmente tudo ocorreria bem. Contudo, seu companheiro acaba sendo empalado por um Necromorph e se junta às mutações. Seu salvador se tornou um inimigo, e ele está bem na sua frente. Pois é. Isaac consegue se soltar, mas ainda temos um problema: o personagem veste uma camisa de força.
Resumindo: você acorda num local infestado por Necromorphs com garras afiadas, preso em uma camisa de força e sem saber para onde prosseguir. Achou muito? É melhor ir se acostumando. A tensão em Dead Space 2 é constante.
O fato é que o game consegue desenvolver a trama dando muito mais profundidade aos personagens e aos eventos. Isaac, por exemplo, agora mostra seu rosto e conversa bastante, ao contrário do primeiro game, no qual o protagonista era desconhecido e só ouvíamos gemidos e gritos.
Mas, nesses três anos, Isaac desenvolveu vários problemas que perturbam sua mente. Depois de ter passado por tudo o que aconteceu em Dead Space, Isaac definitivamente não é mais o mesmo. Muitos traumas assombram o jogador e isso, obviamente, contribui bastante para a atmosfera do game.
Além dos sustos e surpresas nada agradáveis gerados pelos Necromorphs, o jogador também convive com os problemas e pesadelos do protagonista. Alucinações, visões misteriosas e a eterna assombração de sua ex-namorada (atenção para spoiler: falecida no primeiro game) só complicam ainda mais a vida do engenheiro. É claro que isso torna a experiência muito mais dinâmica, dando um tom ao estilo Silent Hill para o game.
Até mesmo a maneira como os personagens se expressam foi melhorada. Além de uma animação mais bacana e marcante, as relações são muito mais interessantes, fazendo com que o jogador acabe até desenvolvendo afeto ou inimizade com as demais personalidades.
Digno de Hollywood  
Para aprimorar ainda mais a imersão do jogador com o game, a Visceral Games decidiu inserir alguns momentos que parecem ter vindo diretamente das super produções de Hollywood. Não se assuste se seu queixo quase tocar o solo em determinados eventos de Dead Space 2.
O título esbanja momentos em que o jogador participa das cenas de corte. Muitas delas acompanham a tradição do game, gerando surpresas alucinantes quando você acha que tudo estava ficando tranquilo. Nesses momentos, você deve fazer exatamente o contrário do que acontece na maioria dos games: não largue o controle.
Você dificilmente assume o papel de mero espectador em Dead Space 2. Quando as cenas acontecem, elas normalmente trazem ainda mais problemas para o jogador. Em uma delas, por exemplo, Isaac está dentro de uma espécie de metrô. A jogabilidade está normal, com a câmera no esquema “sobre os ombros” e a mira centrada na tela. Subitamente, inicia-se uma cena de corte, na qual o trem é sacudido e Isaac faz de tudo para não ser arremessado para longe.
O protagonista então começa a deslizar vagão abaixo e é aí que você entra. A mira volta a aparecer na tela, obrigando o jogador a interagir para não virar café da manhã dos Necromorphs. O gamer tem então que atirar nos inimigos, controlando a mira com o direcional direito (ou mouse, na versão para PC).
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O bacana é que Dead Space 2 sempre consegue surpreender ainda mais. Depois de escaparmos do vagão, nós já estávamos com o coração saindo pela boca. Mas, em vez de uma aterrissagem tranquila, Isaac acaba pendurado de ponta-cabeça. O resultado? Você se sente como uma isca perfeita para uma multidão de Necromorphs.
Depois de tudo isso, Isaac consegue se soltar. Mas a cena ainda não acabou. Surge então um monstro gigantesco, destruindo os vagões e pronto para dar um fim no engenheiro. Novamente, o jogador deve continuar com o controle em mãos, usando a mira e a precisão para atirar na parte amarela que brilha em um dos membros do monstrengo. Agora, nos diga, por que ainda não temos um filme de Dead Space?
A experiência é tão cinematográfica que não temos nem mesmo o famoso HUD (as informações que aparecem na tela). Isso cria uma sensação de imersão muito maior e definitivamente é perfeito para a atmosfera que Dead Space 2 busca trazer. Quando o jogador deve navegar por menus, como o inventário, por exemplo, eles aparecem como hologramas, e a ação não é pausada — sim, você pode ser atacado enquanto vê qual é seu próximo objetivo.
Mandando bala
Isaac Clarke pode até ser um engenheiro, mas o cara manda muito bem quando o assunto é tiroteio. Dead Space 2 traz um sistema de combates praticamente idêntico ao do primeiro jogo. Essencialmente, você não deve simplesmente mirar na cabeça para acabar com a raça de seu inimigo. Os Necromorphs são seres bizarros e só são mortos quando desmembrados.
Sendo assim, aproveite suas armas improvisadas para arrancar braços, pernas e cabeças. O capricho da Visceral Games gera uma jogabilidade extremamente satisfatória nos momentos de combate. Mirar e atirar é fácil, e o jogador conta com ataques corporais para finalizar o oponente quando as coisas apertam.
Em seu arsenal, temos armas que já estavam disponíveis no primeiro game, como a Plasma Cutter, que é como a pistola padrão do título. Além disso, há a Line Gun, que possui uma função semelhante à arma padrão, mas com mais abrangência nos projéteis e potência. Boa parte das armas conta com uma função secundária, que pode ser um tipo de tiro diferente ou outra habilidade.
Quanto aos novos brinquedinhos, Dead Space 2 também traz várias opções interessantes.Para ilustrar, temos exemplos como a Detonator, que lança minas e pode facilmente acabar com um grupo enorme de Necromorphs. Fora ela, o jogador também encontra a Javelin, um poderoso rifle que lança estacas e é capaz de transformar qualquer inimigo em um belo quadro sangrento.
Para aprimorar a experiência, Dead Space 2 traz alguns elementos de RPG à sua fórmula. Fazer upgrades em suas armas é algo necessário, mas que exige certa estratégia. O jogador conta com as famosas árvores de habilidade e deve usar cautelosamente seus Power Nodes para preencher as lacunas e desbloquear novos recursos para suas armas. É praticamente impossível deixar sua arma com todos os atributos no máximo na primeira vez em que você termina o jogo.
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Temos ainda várias lojas espalhadas pelas fases. Nela, você pode comprar novos itens, vender o que deseja e guardar o que não está sendo utilizado. É aqui que você também troca de traje e tem a chance de adquirir novas armas.
Economize bem o seu dinheiro — que pode ser encontrado espalhado pelo ambiente e também nos inimigos —, pois a munição é escassa e você provavelmente vai precisar gastar uma grana para poder se manter vivo.
Felizmente, existe outra opção para quem está sem munição. O Kinesis, uma espécie de poder de telecinese, agora está evoluído, permitindo que o jogador agarre lanças e até mesmo garras de oponentes e utilize-as como armas. É como se Isaac fosse um Jedi e usasse a Força para segurar um objeto e lança-lo no inimigo.
O Stasis também volta a marcar presença no game, permitindo que o jogador congele seus oponentes para finalizá-los com mais calma. Algo essencial para momentos em que tudo parece perdido.
Usando a cabeça
Dead Space 2 é um game essencialmente linear. Há pouca exploração e você nunca ficará perdido, graças a bússola moderna que indica exatamente onde você deve ir para prosseguir. Os objetivos resumem-se em ir do ponto A ao ponto B. Durante a jogatina, você até encontra alguns quebra-cabeças, no qual Isaac mostra que não é chamado de engenheiro à toa.
O jogador tem de reparar estações elétricas através de minigames que utilizam o analógico para encontrar o ponto exato da solução. Fora isso, temos os famosos momentos de gravidade zero, que também apareciam no primeiro game.
Aqui, entretanto, a jogabilidade é diferente. Em vez de apenas ir de um ponto ao outro quando a gravidade é nula, você literalmente voa pelo espaço, explorando livremente os ares com a ajuda dos propulsores equipados ao traje de Isaac.
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Um remédio para os olhos e ouvidos
Felizmente, Dead Space 2 traz uma engine que consegue acompanhar toda a ousadia da equipe de direção de arte. Com isso, temos como resultado um game com gráficos bonitos e estáveis. Não há queda na taxa de quadros por segundo, mesmo nos momentos mais intensos.
Isso permite que o jogador observe com qualidade os variados ambientes do título, assim como cada detalhe dos monstrengos e de tudo que compõe as cenas. Quanto ao áudio, Dead Space 2 dispensa comentários. Simplesmente uma das melhores trilhas incidentais e ruídos já vistos na história dos games. Escutar passos e rugidos de monstrengos por toda a parte só aumenta a intensidade da experiência, que é regada com a dose certa de efeitos sonoros do início ao fim. Sensacional.
As versões para Xbox 360 e PlayStation 3 são praticamente idênticas. Não há como julgar qual é superior, existem algumas diferenças, mas nenhuma delas interfere na qualidade. A Visceral Games fez um dos melhores ports desta geração, trazendo um desempenho praticamente igual e para nenhum fanboy colocar defeitos.
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Quebradeira em grupo!
Como se não bastasse toda a excelência do modo para um só jogador, Dead Space 2 também traz a possibilidade de jogar em multiplayer. Esse modo permite que até oito pessoas, divididas em dois times, se acabem em conflitos entre humanos e Necromorphs ao melhor estilo Left 4 Dead.
Cada uma das raças conta com objetivos distintos. Os humanos, por exemplo, devem acessar terminais específicos, carregar itens ou então destruir artefatos especiais. Já os Necromorphs contam com uma missão aparentemente mais simples: aniquilar os companheiros de Isaac.
Em jogo, a experiência é bacana. Todos os humanos se comportam como Isaac, com armas e a possibilidade de aprimorar suas habilidades. Os Necromorphs, por outro lado, são divididos em quatro classes diferentes, cada uma com suas habilidades específicas.
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No lado dos monstrengos, temos os Pack, que são como crianças abomináveis capazes de se movimentar rapidamente e com um alto poder de ataque corporal. Há também os Lurker, que são pequenas criaturas com tentáculos capazes de lançar ferrões e escalar paredes. Os Puker vomitam nos humanos e os tornam mais lentos. Por último, temos os Spitter, que cospem, batem e são um verdadeiro terror para qualquer engenheiro espacial.
O multiplayer mantém a intensidade do modo para um só jogador. Embora os modos sejam limitados, existem vários mapas distintos e a possibilidade de aprimorar seu personagem pode deixar a experiência ainda mais atraente.

Reprovado

Aproveitando a onda
Infelizmente, Dead Space 2 não consegue causar o mesmo impacto brutal gerado pelo primeiro game da série. A fórmula foi mantida e muito do que foi visto no primeiro game continua intacto. Uma boa para quem gostou do primeiro game, mas algo que definitivamente deixa a sensação de estarmos jogando apenas “mais do mesmo”.
Talvez objetivos mais variados no modo para um só jogador pudessem evitar essa sensação. Você sempre deve ir de um ponto para o outro, ouvindo conselhos de alguém que diz qual é a sua próxima missão. O jogo acaba criando uma espécie de rotina em relação aos objetivos.
A jogabilidade está um pouco diferente, mas temos certeza de que Isaac é capaz de fazer muito mais do que foi feito. Talvez um foco ainda maior nos pesadelos pudesse gerar momentos semelhantes aos que encontramos em Batman: Arkham Asylum, no qual o esquema de jogo se altera totalmente.
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Quase lá
O multiplayer agrada, mas seu potencial definitivamente não foi totalmente explorado. Limitar o modo em combates de humanos contra Necromorphs é uma opção plausível, mas seria muito bacana embarcar em tiroteios com dois times formados por engenheiros, ao clássico estilodeathmatch. Uma adição que cairia muito bem.
E nós apostamos que todos adorariam ver uma campanha com suporte para uma modalidade cooperativa. Isaac e mais um engenheiro destruindo Necromorphs alucinadamente seria simplesmente um sonho. O jeito é esperar por Dead Space 3.

E um último probleminha, exclusivo dos usuários para PC: A Electronic Arts não lançará conteúdo para download nessa plataforma. O motivo? Provavelmente é culpa dos piratas. Mas nós é que nos demos mal, não é mesmo?

Vale a pena?

Dead Space 2 tinha uma tarefa nada fácil de ser cumprida: superar o primeiro e manter-se como um dos poucos jogos do gênero survival horror. Felizmente, Isaac Clarke e a Visceral Games foram competentes o suficiente para cumprir a missão.
O título é simplesmente essencial para quem sente saudade dos tempos em que a atmosfera era um dos pilares principais dos games. A tensão é constante e você provavelmente não vai conseguir parar de jogar o game depois de iniciá-lo.
Tudo isso regado por um sistema de combates fenomenalmente satisfatório, com entranhas, sangue e muitos desmembramentos. Um dos poucos games que conseguem misturar dois conceitos normalmente distantes com tanta eficiência.
Dead Space 2 não apenas superou o primeiro, mas também se tornou um dos melhores jogos desurvival horror da história dos games. Aproveite.

Marvel vs. Capcom 3: Fate of Two Worlds-Ps3-Xbox 360



A indústria das histórias em quadrinhos já se deu conta há um bom tempo de algo que a de games aos poucos começa a perceber: o quão lucrativo é investir em títulos que reúnem personagens de diferentes universos. Chamados de crossovers, essa união entre heróis e vilões que aparentemente não possuem nenhuma relação é a grande aposta dos estúdios para agradar fãs de diferentes franquias.
Img_normalEditoras como Marvel e DC já comprovaram que essa fórmula realmente é a trilha para o sucesso. Megassagas como “Guerra Civil” e “Crise das Infinitas Terras” são, ao mesmo tempo, tanto eventos-chave para a cronologia de toda a história quanto a oportunidade de ver seus mascarados favoritos trabalhando em equipe ou (o que é mais divertido) caindo na pancadaria.
Nos video games, a iniciativa não é tão comum quanto nas HQs. No entanto, isso não significa que ela não consegue o mesmo sucesso – a Capcom que o diga. A desenvolvedora é o grande nome quando o assunto é colocar personagens de diversos mundos lado a lado em jogos de luta. O que começou como Street Fighter vs. X-Men evoluiu, ganhou novos guerreiros e se transformou em Marvel vs. Capcom, uma série que dispensa qualquer apresentação.
Isso é tão verdade que o segundo jogo, lançado originalmente para Dreamcast e PlayStation 2, é até hoje cultuado por jogadores do mundo inteiro e um dos títulos mais baixados da PSN e Xbox LIVE, em que receberam versões digitais. Eis que dez anos depois, a série chega aos consoles de nova geração com a aguardada continuação – e com todos os elementos que tornaram a franquia no melhor crossover do mercado.
O destino do mundo e a evolução do Versus
Marvel vs. Capcom 3: Fate of Two Worlds é uma nova experiência para os games de luta. Por mais clichê que isso pareça, voltar a controlar Ryu e Wolverine é algo completamente diferente tanto para novatos quanto para velhos conhecidos da fórmula. Além da tão comentada reformulação na lista de personagens, há também várias novidades nos comandos que reinventam o modo de jogar e torna tudo ainda mais fácil.
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Por mais que algumas inovações possam desagradar em um primeiro momento, basta se familiarizar com o sistema para perceber com a praticidade da novidade. Os combos insanos, a jogabilidade ágil e até mesmo a bagunça na tela – marcas registradas da série Versus – estão presentes e prontos para fazer com que você elabore seu time preferido e esmague os botões para ver quem realmente é o mais forte. A bagunça de sempre voltou ainda mais bonita e divertida.

Aprovado

A new challenger has entered the ring
Se você estava na expectativa em torno de Marvel vs. Capcom 3, certamente deve ter acompanhado a divulgação em doses homeopáticas que o estúdio japonês fazia dos personagens disponíveis no game. Após quase matar os fãs de ansiedade, finalmente a desenvolvedora apresentou o elenco completo e, ainda com algumas reclamações aqui e ali, conseguiu trazer lutadores completamente diferentes para os dois times.
Figurões como Ryu e Capitão América, por exemplo, não poderiam faltar. É exatamente por isso que o grande destaque de MvC 3 são os estreantes, que conseguem dar novos ares à série e oferecer novas experiências para as partidas. É o exemplo de Dante (de Devil May Cry) e Amaterasu (Okami), duas das melhores inserções do título. Ambos possuem um estilo ágil e com golpes bem variados, o que dá incríveis possibilidades para combos. O mesmo pode ser dito de X-23 e Super-Skrull para o lado da Marvel.
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Mais do que oferecer outras estratégias aos combates, os novos participantes conseguem balancear todo o jogo, evitando que determinado guerreiro se sobreponha aos demais e acabe com a graça da brincadeira. Por mais que alguém seja completamente rápido e forte, vai possuir um ponto fraco para compensar essa superioridade. A recíproca também é verdadeira, ou seja, os mais lentos certamente possuirão mais energia e aguentarão por mais tempo. É apenas uma questão de adaptação.
Outro ponto é a versatilidade de cada um. Mesmo que você seja completamente tradicionalista e prefira somente os lutadores conhecidos, certamente vai se divertir enquanto experimenta novos personagens. Fugir do conservadorismo para conferir como ficou o Deadpool ou Haggar é recompensador e vai garantir boas risadas – e talvez alguns xingamentos.
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Os personagens que já apareceram em outros Marvel vs. Capcom também receberam algumas modificações. Pode parecer algo de pouca relevância à primeira vista, mas os fãs da série certamente vão perceber que Magneto e Sentinela estão menos “apelões” e com habilidades (e fraquezas) equivalentes aos demais guerreiros.
Já para quem gosta de utilizar sempre os mesmos heróis, a novidade fica por conta do “Reserve Unit”, uma opção que permite ao jogador cadastrar até três times diferentes para facilitar a seleção. Assim, em vez de escolher um a um todas as vezes, basta confirmar o “pacote” e partir para a briga.
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É claro que a redução no elenco foi um dos grandes pontos negativos do game, mas nada comprometedor. Em vez das 56 opções de escolha de New Age of Heroes, Fate of Two Worlds oferece apenas 36 (sem contar os dois que serão disponibilizados por DLC em breve). O problema, entretanto, não está no número, mas nas escolhas feitas. Sério que a Capcom preferiu Spencer (Bionic Commando) em vez de Mega Man? E quem diabos ia deixar de lado o Venom para jogar com o M.O.D.O.K., a incrível cabeça voadora?
Melhorias nos comandos
Ainda que os novos personagens tenham ampliado as possibilidades neste Marvel vs. Capcom, a maior mudança ficou por parte dos controles. Seja você um novato no mundo das lutas ou um veterano em Hadokens, uma coisa é certa: será preciso reaprender a jogar para aproveitar tudo o que Fate of Two Worlds tem a oferecer.
Primeiramente, esqueça o conceito de botões para socos e chutes. Em vez disso, MvC 3 oferece apenas a ideia de ataques, sendo eles fracos, médios e fortes, além de um especial. Isso pode parecer chocante em um primeiro momento, mas basta pegar o jeito para perceber como essa nova mecânica contribui para deixar o game ainda mais ágil.
Mas como diferenciar um Hadoken de um Tatsumaki Senpuukyaku, já que não existe diferenciação entre mãos e pés? Ao contrário do que acontece em com a maioria dos títulos do gênero, o que vai definir a utilização de um ou outro movimento é o comando dado no direcional. No caso citado, basta fazer a meia lua para frente ou para trás, enquanto outros são determinados pela intensidade do ataque.
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Se você já possui certa familiaridade com jogos de luta, tenha certeza de que vai estranhar o novo sistema, afinal é quase instintivo procurar botões de soco durante a partida. Porém, bastam alguns minutos para compreender a lógica do game e se acostumar com ela.
A troca nos comandos foi feita exatamente para facilitar a realização de combos e deixar tudo ainda mais natural. Por mais que Marvel vs. Capcom 2 trouxesse quase 60 personagens, muitos deles eram impossíveis de se jogar caso você não tivesse um controle de arcade. Em Fate of Two Worlds, o elenco encolhido é compensado pela facilidade de realizar sequências de golpes com os novos controles.
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Na prática, a utilização dos golpes por intensidade deixa as lutas mais dinâmicas. Na primeira hora de jogo, por exemplo, é impossível não ficar tentado a esmagar botões para ver o estrago que isso causa. Contudo, um pouco mais de prática faz com que você compreenda todo o funcionamento, elabore estratégias e defina qual a melhor forma de acertar o adversário.
Já para os iniciantes, a grande novidade é o chamado “Simple Mode”. Como o próprio nome sugere, esse modo traz um mecanismo completamente simplificado a fim de introduzir novatos na loucura que são as lutas de Marvel vs. Capcom 3. Sendo assim, tudo se resume a apenas um botão, que serve para realizar todos os golpes, mantendo a diferenciação no uso do direcional. É claro que isso traz algumas desvantagens, como a impossibilidade de realizar combos, mas serve como um incentivo para quem está começando agora.
Equilibrando a luta
Img_normalLembra-se dos desenhos animados em que os heróis sempre liberavam alguma força especial quando estavam prestes a ser derrotados e servia como a chave para a virada? Pois existe algo parecido em Marvel vs. Capcom 3: Fate of Two Worlds.
Chamada de X-Factor, essa energia pode ser decisiva em qualquer luta, pois ela deixa qualquer personagem muito mais rápido e forte por um determinado período de tempo. Saber utilizá-la na hora certa pode fazer com que aquela derrota certeira se transforme em uma vitória surpreendente em questão de segundos.
É claro que uma habilidade tão poderosa possui algumas restrições de uso. Primeiramente, sua intensidade varia de acordo com a situação. Ela se torna muito mais eficaz quando aplicada no último personagem de seu time, o que apenas comprova sua utilidade como contra-ataque. Outro detalhe é que ela só pode ser evocada uma única vez durante toda a partida, o que exige controle por parte do jogador para não jogar a oportunidade fora.
Além disso, o X-Factor também pode ser usado para estender combos. Assim como o Focus deStreet Fighter IV, ele pode cortar ataques especiais para que você consiga emendar outro já na sequência. Esse tipo de estratégia, apesar de limitada, pode ser letal e causar um dano impressionante.
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Outra adição que modifica a jogabilidade em Marvel vs. Capcom 3 é o Advanced Guard, uma evolução da defesa comum e do “parry”. Sabe quando o adversário o deixava acuado em um canto e não permitia que você se movesse? Pois isso deixa de ser possível, pois o novo recurso simplesmente arremessa o inimigo para o outro lado da tela caso ouse pressioná-lo contra a parede.
HQ em movimento
Desde que as primeiras imagens de Fate of Two Worlds foram divulgadas, a impressão que tínhamos era de que se tratava de uma história em quadrinhos em movimento. Para a felicidade geral dos fãs da Marvel, isso se mostrou como sendo realidade.
Toda a estética adotada pela Capcom para construir parte da ideia de que estávamos diante um gibi coube perfeitamente para a temática do jogo, o que torna as lutas ainda mais divertidas e imersivas no mundo da editora. O que também colabora para isso são as cores, que estão muito mais vibrantes e tornam o jogo muito mais vivo.
Além disso, a própria modelagem está muito fiel ao visual visto nas revistas. É claro que isso traz algumas falhas (que serão discutidas adiante), mas o resultado é bastante satisfatório de modo geral. Basta assistir aos trailers e perceber como os efeitos de impacto – algo bem característico dos quadrinhos – funcionam perfeitamente para deixar os confrontos mais empolgantes.
A mesma loucura de sempre
Se os controles estão irreconhecíveis para os velhos conhecidos da série, ao menos a bagunça das lutas continua a mesma em Marvel vs. Capcom 3. A velocidade e o caos das lutas sempre foram marcas registradas da série e elementos que certamente irão agradar aos fãs.
É complicado se localizar na tela? Em certos momentos, sim. Porém, é impossível ver essa loucura como algo desorganizado e incompreensível, mesmo quando há quatro personagens na tela utilizando seus golpes especiais simultaneamente. É esse tipo de situação que mostra o quanto a Capcom conseguiu evoluir a franquia a ponto de fazer com que o game consiga suportar vários Hadokens e Proton Cannons sem sofrer com quedas drásticas de quadros por segundo.
O dinamismo também merece destaque na realização dos combos. Fate of Two Worlds consegue melhorar essa agilidade a ponto de tornar a sucessão de golpes algo tão rápido que você chega a perder seu herói de vista. A progressão dos ataques aéreos e a troca simplificada de lutador torna tudo muito rápido e engraçado – isto é, quando é você que está batendo.

Reprovado

Pior que um fanart
Chega a ser impossível de acreditar que a capa divulgada para Marvel vs. Capcom 3 é a real até o momento em que você põe as mãos nela. Ela é incrivelmente feia e com traços tão fora da realidade dos dois universos que chega a ser difícil imaginar que se trata de algo oficial.
Você deve estar estranhando essa opinião mais direta e até mesmo pessoal para algo que pode ser considerado subjetivo, mas é que é impossível ficar indiferente aos desenhos utilizados em Fate of Two Worlds. Basta bater o olho na ilustração para que você comece a caçar erros e rir das bizarrices. Quer exemplos? Olhe para o Hulk, Morrigan, Viewtiful Joe e Amaterasu e tire suas próprias conclusões.
Os desenhos dentro do jogo também são bastante trágicos. Ao término de cada luta, uma página de HQ aparece com a figura do time vencedor. Esse é outro momento em que você vai sofrer ao ver as aberrações em que se transformaram os personagens clássicos. O gigante esmeralda, por exemplo, é um dos mais estranhos, pois possui cerca de 30 centímetros em cada dente. Queríamos poder dizer que se trata de um exagero, mas estaríamos mentindo.
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O lado bom é que esse problema não chega a afetar com tanta intensidade a modelagem dos guerreiros. É claro que alguns lutadores acabam sendo prejudicados, como é o caso de Ryu, o qual exibe um nariz completamente deformado na tela que antecede a luta, e de Spencer, que teve seu braço metálico aparentemente substituído por um de pedra.
Pouca variação
Se formos pensar friamente, um jogo de luta é completamente repetitivo. Tudo consiste em entrar em uma partida, derrotar seu adversário e seguir com essa mesma proposta até o final. Então, o que é preciso para evitar que um game do gênero consiga ser atraente a ponto de fazer com que o jogador não se canse nos primeiros minutos de jogo?
A solução encontrada pelas desenvolvedoras – o que inclui a própria Capcom – foi adicionar diferentes modos para tornar a jogabilidade completamente variada. Além dos tradicionais arcade e multiplayer, a existência de “time trials” e “survivals” são formas de ampliar o leque de possibilidades e pôr à prova as habilidades do gamer.
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Porém, nada disso existe em Marvel vs. Capcom 3. Ao entrar no Offline Mode, as únicas opções disponíveis são os modos para um e dois jogadores, além de uma área de treino e um local para missões – algo equivalente aos “Trials” de Super Street Fighter IV. Quer variar? Sinto dizer, mas é impossível.
A situação se repete no online, que também sofre com a falta de modos. Ainda que o serviço seja bem estável, é triste ver que não há opções diferentes, como batalhas em equipes ou até mesmo um pequeno campeonato. Só existem opções para entrar em confrontos ranqueados ou apenas por diversão, além de criar sua própria sala ou procurar uma em específico.
Curto tempo de vida
Marvel vs. Capcom 2 é cultuado até hoje por uma razão: ele é incrivelmente extenso para um game de luta. São quase 60 personagens e uma infinidade de outros elementos a serem desbloqueados à medida que o jogador avança. Além de oferecer uma jogabilidade completamente variada entre cada lutador, essa montanha de possibilidades também servia para estender o tempo de vida do jogo.
Img_normalÉ claramente perceptível que a vida de Fate of Two Worlds é bem mais curta que a de seu antecessor. Não queremos dizer que o jogo está destinado a cair no esquecimento em breve ou que é inferior a MvC 2, mas sim que ele tem grandes chances de cansar pela falta de desafios a serem desbloqueados.
Ok, sabemos que o multiplayer é o grande foco e o responsável por fazer com que o título persista, mas também é importante levarmos em consideração aquilo que vai motivar os jogadores a avançarem no modo arcade. Neste caso, somente os quatro guerreiros secretos são o único incentivo, o qual acaba após finalizar o jogo pela quarta vez.
Existe uma grande quantidade de outros itens desbloqueáveis, como histórias em quadrinhos, alguns vídeos e ilustrações. Porém, nada disso serve como algo que realmente faça com que alguém se empenhe para terminar com todos os 36 personagens. Há um troféu/conquista para recompensar, mas nada além disso.
Não existem roupas extras a serem compradas com os Player Points, o que obriga o jogador a ficar limitado às poucas opções disponíveis. Também não há cenários ocultos, o que o força a visualizar os mesmos nove estágios todas as vezes – algo que também se torna bastante cansativo com o tempo.

Vale a pena?

Se você é fã de games de luta, saiba que Marvel vs. Capcom 3: Fate of Two Worlds faz com que a espera de dez anos tenha valido a pena. O título está repleto de ótimas novidades, as quais devem agradar veteranos e novatos. A troca nos comandos, por exemplo, vai tornar as competições futuras muito mais acirradas, afinal os combos saem com mais facilidade mesmo sem a utilização do controle arcade.
É claro que os fãs mais puristas devem reclamar de muitas dessas alterações, mas é inegável que isso fez com que o jogo ficasse muito mais acessível e divertido. Como a essência do game – a agilidade nos movimentos e as extensas sequências de golpes – continua intacta, todas essas críticas podem ser questionadas e mostram que a Capcom continua mestre em criar ótimoscrossovers.
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Algumas coisas poderiam melhorar? É claro, mas isso não desmerece o título. O principal ponto que poderia ser aprimorado em MvC 3 seria, sem sombra de dúvidas, a quantidade de opções de jogo. Ainda que seja ótimo distribuir pancadas e explosões nos modos arcade e multiplayer, sentimos falta de desafios maiores e de elementos que nos motivasse a continuar. Para um lançamento cuja proposta é simplesmente lutar, ficou faltando alternativas para quem cansou de enfrentar o Galactus.